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Cobrou errado, devolve em dobro: o que o STJ decidiu sobre cobranças indevidas

No Tema 929, o STJ fixou que a devolução em dobro não depende de má-fé e que o silêncio diante da reclamação do cliente pesa contra a empresa.
Cobrou errado, devolve em dobro: o que o STJ decidiu sobre cobranças indevidas

Toda empresa que cobra clientes já cometeu, em algum momento, um erro de cobrança: uma tarifa a mais, uma parcela em duplicidade, um serviço cancelado que continuou sendo faturado. A pergunta é o que acontece depois.

O Superior Tribunal de Justiça acaba de deixar essa resposta mais clara, e mais exigente.

O que o STJ decidiu

Em setembro de 2026, a Corte Especial do STJ fixou a tese do Tema 929. Pelo Código de Defesa do Consumidor, quem paga uma cobrança indevida tem direito a receber em dobro o valor pago a mais. Segundo o STJ:

  • A devolução em dobro não depende de má-fé. Basta que a cobrança contrarie a boa-fé esperada nas relações com o consumidor.
  • Se o cliente reclamou, mesmo de forma informal, e a empresa ignorou ou recusou sem justificativa, isso já é um indício forte para a devolução em dobro.
  • Cabe à empresa provar que não agiu de forma desleal ou descuidada.
  • A devolução simples continua possível em caso de engano justificável, como quando havia divergência nos tribunais sobre aquela cobrança.

O STJ também afastou a limitação temporal que havia sido aplicada antes, e a tese passa a valer para todos os processos.

Por que isso importa para a gestão

A decisão desloca o foco do erro para a reação ao erro. Um equívoco corrigido rapidamente tende a ser tratado como engano. Um equívoco que o cliente apontou e ninguém respondeu tende a ser tratado como descuido.

O que revisar

  • Canais de atendimento: toda reclamação de cobrança precisa de registro e resposta.
  • Prazo interno para analisar e estornar cobranças contestadas.
  • Contratos e cláusulas de cobrança, especialmente tarifas e reajustes.
  • Registro das análises feitas, para provar diligência se for preciso.

Errar uma cobrança pode acontecer com qualquer empresa. Deixar a reclamação sem resposta, agora, custa o dobro.

Este conteúdo é informativo e não substitui a análise de um caso específico. Se quiser entender como o tema se aplica à realidade da sua empresa, os canais de contato do Tessaro Advogados estão disponíveis nesta página.

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